Inveja: como o maior dos pecados pode atrapalhar seu sucesso

Rodrigo Focaccio

Muita gente já deve ter vivido uma situação parecida: alguém nota que você engordou ou que alguma coisa está errada em sua vida. Mas o maior desconforto que sentimos não é exatamente com o problema em si, mas com a indisfarçável satisfação – e não preocupação – daquela pessoa ao constatar que você está com um problema.

A inveja é tão antiga quanto a existência dos seres humanos. Na Bíblia, Caim mata Abel dominado pela inveja que o fazia acreditar que seu irmão era o preferido do pai. Ela também envenena a maçã da Branca de Neve, desperta a fúria da deusa Hera contra a beleza de Helena de Tróia e alimenta a audácia e os planos de Loki.

Só que o problema da inveja já começa em sua própria definição. Para estabelecer um critério, vou tomar como base o que o escritor Zuenir Ventura definiu em seu livro sobre o tema (Inveja – Mal Secreto). Inveja não é querer ter o que o outro tem. O escritor chama esse sentimento de emulação. O sentimento de ter o que o outro tem é até positivo do ponto de vista da evolução.

Macacos quando viam algum de seus pares com mais cachos de bananas enquanto eles possuíam apenas dois, se sentem impelidos a buscar mais banana sabendo que isso é possível, pois ele enxerga o sucesso do outro. Nesse caso, trata-se de um estímulo à competição.

Inveja é querer que o outro se dê mal, ainda que o invejoso não ganhe nada com isso ou sequer admita que está feliz com isso

Porém, a inveja que pretendo tratar é o desejo e o prazer inconfesso de querer que o outro perca o que ele tem. Inveja é querer que o outro se dê mal, ainda que o invejoso não ganhe nada com isso ou sequer admita que está feliz com isso.

Assim como a inveja atrapalhou muita gente desde as mais longínquas eras da humanidade, ela continua eficiente em perturbar nosso dia a dia, inclusive no âmbito profissional. Afinal, é inegável que boa parte do sucesso que atribuímos a alguém venha da carreira e do trabalho.

Para piorar, a inveja não atrapalha apenas da forma mais tradicional. Todo mundo sabe como é o efeito direto provocado pelos invejosos. Às vezes na torcida para que alguém se dê mal, às vezes atuando e movimentando as peças para derrubar o seu alvo. Os níveis de invejosos variam e nos casos mais graves são diagnosticadas como uma doença proveniente de graves falhas ou lesões nos lobos frontais do cérebro.

A outra forma de ataque da inveja é indireto e de maneira simples pode ser definido pelo “medo da inveja”. Esse conceito foi aprofundado em 1951 pelo psicólogo americano Solomon Asch. O cientista criou um teste no qual pessoas eram convidadas a opinar sobre uma questão simples mas, antes, escutavam outros voluntários que já estavam alinhados com o psicólogo para criar um consenso em torno da resposta errada.

A conclusão é que pouquíssimas pessoas desviaram da resposta dada pela maioria (apenas 25%), ainda que a solução fosse um tanto óbvia. A partir desse teste, começou a ser desenvolvido o conceito de complexo de Solomon ou, simplificadamente, o fenômeno de tomar decisões ou comportamentos para evitar se sobressair, se destacar ou brilhar em um determinado grupo.

O medo de que outros sintam inveja faz com que muitas vezes nos esforcemos para estar em consenso com o grupo do qual fazemos parte

O medo de que outros sintam inveja faz com que muitas vezes nos esforcemos para estar em consenso com o grupo do qual fazemos parte. A sensação de incômodo e até de perigo, impede que sejamos diferente ou, como no exemplo do doutor Solomon, não permite que a gente confie em nossa própria capacidade.

A inveja é um sentimento universal do qual todos nós provamos algumas doses e também pelo fato de que ninguém admite senti-la. Ela também é resultado de um complexo de inferioridade que preferimos não reconhecer. Em vez de correr atrás, como o macaco que busca mais bananas quando vê que seu colega carregar mais cachos, nos acomodamos e voltamos nossa satisfação para julgamentos ou celebramos a derrota alheia.

Há um grande contingente de pessoas que se vê imobilizada com medo das críticas, daquilo que os outros pensam ou receio de como podem reagir as pessoas que não gostam delas. A inveja paralisa o invejoso e o invejado.

Do outro lado, há um grande contingente de pessoas que se vê imobilizada com medo das críticas, daquilo que os outros pensam ou receio de como podem reagir as pessoas que não gostam delas. A inveja paralisa o invejoso e o invejado.

Em vez de nos preocuparmos em se sentir mal com o sucesso ou a alegria dos outros, seria mais simples depositar energia em construir o nossa própria satisfação. Deixar de lado a pressão social que nos empurra a seguir a mesma estrada da maioria.

Só que essa solução é simples apenas na teoria.

Que inveja de quem consegue pensar e agir assim.

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